Vilarejo 'fantasma' do Ceará completa um ano sem assassinatos, mas moradores ainda relutam em voltar

  • 17/07/2026
(Foto: Reprodução)
Mesmo sem assassinatos há 1 ano, ex-moradores ainda resistem em voltar para Uiraponga Há um ano, Uiraponga, distrito de Morada Nova, no interior do Ceará, ficou conhecido em todo o Brasil por se tornar um "vilarejo fantasma". Ameaçadas por facções criminosas, quase todas as famílias abandonaram o local às pressas. Das mais de mil casas, apenas cinco permaneceram habitadas. Desde então, o vilarejo, distante cerca de 200 km de Fortaleza, mudou. O policiamento foi reforçado, nenhum assassinato foi registrado na comunidade e mais de 80 famílias retornaram. Ainda assim, o trauma deixado pela fuga em massa faz com que muitos ex-moradores relutem em voltar definitivamente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp "Foi doído! Uma das últimas que saiu fui eu. Todo mundo saiu chorando", lembra Maria José do Nascimento, de 63 anos, que hoje divide o tempo entre Uiraponga e a casa da filha, em Limoeiro do Norte. O levantamento foi feito por nove agentes de saúde que atendem a comunidade, conforme a prefeita de Morada Nova, Naiara Castro (PSB). Esse retorno se intensificou em junho de 2026. Em 2025, a polícia prendeu 13 criminosos envolvidos nos "deslocamentos forçados", como a Secretaria da Segurança Pública do Ceará se refere aos crimes em que bandidos expulsam os residentes de casa. Entre eles, está um homem apontado como um dos mandantes dos crime na região, capturado em São Paulo. LEIA TAMBÉM: Como está a vida em vilarejo do Ceará um ano depois de saída em massa de moradores devido à disputa de facções 'Foi doído' Maria José do Nascimento, de 63 anos, há dez meses deixou a residência que sempre viveu em Uiraponga para ir morar com a filha em Limoeiro do Norte. Thiago Gadelha/SVM Diferentemente dos que já voltaram a residir no distrito, outros ex-moradores vão à comunidade pela afetividade, mas preferiram seguir a vida em outro local. É o caso da Maria José do Nascimento, a "Mazé", de 63 anos, que há dez meses deixou a residência que sempre viveu para ir morar com a filha em Limoeiro do Norte. Agora, Mazé se divide entre as duas casas, passando uma temporada em Uiraponga e outra em Limoeiro do Norte. "Depois que eu fui [embora], eu vim várias vezes. [...] Vim aqui olhar minha casinha e vou passar até o final do mês", disse a ex-moradora. Mesmo reconhecendo as melhorias na comunidade, a mulher ainda não tem previsão de retornar definitivamente para o vilarejo. "Quando o pessoal pergunta se vou voltar, eu digo que não sei, não vou dizer nada. Não posso dizer que não volto mais, pois nasci e me criei aqui, nunca esqueço. Não estou confirmada de voltar agora não. Quem sabe? Deus que sabe" disse Maria José. Indo e voltando José Bento Neto saiu do distrito ainda na juventude para trabalhar, mas sempre que pode passa uma temporada na comunidade. Thiago Gadelha/SVM Esse processo de ficar "indo e voltando" de Uiraponga já é conhecido do aposentado José Bento Neto, que saiu do distrito ainda na juventude para trabalhar, firmou moradia em Fortaleza, mas sempre que pode passa uma temporada na comunidade. "Saí daqui para trabalhar fora, mas nunca passei um ano sem andar aqui", falou José Bento Neto. No dia da saída em massa dos moradores, ele estava se preparando para ir à Festa de Nossa Senhora do Livramento, padroeira do distrito, que acabou não acontecendo em 2025. "Estava arrumando as malas para vir para a festa. Houve esses negócios aqui e o pessoal foi embora. Aqui já teve coisa pior que esses negócios de quando o pessoal foi embora. Umas cabeças saíram e os outros saíram atrás, foram todo mundo", relembrou o aposentado. José Bento está otimista sobre o futuro do vilarejo após a conclusão das obras que estão sendo feitas na região: "Já melhorou muito e vai melhorar mais ainda". Distrito recebeu um mural feito pelas artista Jane Tatielly, natural do vilarejo. Thiago Gadelha/SVM Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/07/17/mesmo-sem-assassinatos-ha-um-ano-ex-moradores-resistem-em-voltar-a-vilarejo-que-teve-saida-em-massa.ghtml


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