Município no Ceará já teve seis vereadores presos em 2026 por suspeita de envolvimento com facções criminosas
06/05/2026
(Foto: Reprodução) Claudio Maroca (dir. acima), Hilmar Sérgio (meio acima), Gleide Rabelo (esq. acima), Regis Rumão (dir. abaixo), Junior do Dedé (meio abaixo) e Weder Basílio (dir. abaixo).
Redes sociais/Reprodução
O município de Morada Nova, no interior do Ceará, já teve seis vereadores presos em 2026 por suspeita de envolvimento com facção criminosa. Em março, uma operação capturou cinco parlamentares do município. Um desdobramento dessa operação deteve mais um vereador nesta terça-feira (5).
O último preso foi o vereador José Weder Basílio Rabelo (PP). Ele foi capturado durante uma operação contra o braço financeiro de uma organização criminosa responsável por movimentar R$ 500 milhões.
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Em nota, Igor Cesar Rodrigues, advogado de defesa do vereador José Weder, lamentou "não ter tido acesso sequer ao conteúdo da decisão de prisão, muito menos aos autos do inquérito. Enquanto isso, verifica-se um amontoado de notícias e entrevistas sobre o caso, inclusive pelo delegado responsável" (veja abaixo a nota de posicionamento na íntegra).
A operação realizada nesta terça-feira (5) mirou o braço financeiro que tem atuação no Ceará e Minas Gerais. Batizada de Operação Consorte, a ação ocorreu em municípios cearenses e em Belo Horizonte, com o cumprimento de mandados judiciais e a mobilização de mais de uma centena de agentes.
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Cinco vereadores presos
Em março, outros cinco parlamentares de Morada Nova foram presos durante a Operação Traditori, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE) para combater uma organização criminosa envolvida no financiamento ilícito de campanhas eleitorais na cidade do Vale do Jaguaribe.
As campanhas eleitorais teriam sido financiadas com dinheiro proveniente de uma facção criminosa, segundo a investigação da Ficco-CE.
O g1 apurou, com fonte da Câmara de Morada Nova, que os vereadores presos naquela operação foram:
Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT) - presidente da Câmara de Morada Nova;
Lucia Gleidevania Rabelo - Gleide Rabelo (PT) - secretária da mesa diretora da Câmara;
Claudio Roberto Chaves da Silva - Cláudio Maroca (PT);
José Regis Nascimento Rumão (PP) e
José Gomes da Silva Júnior - Júnior do Dedé (PSB).
O advogado Fernandes Neto informou ao g1 que o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) concedeu habeas corpus aos clientes dele, Hilmar Sérgio e Gleidevania Rabelo, "reconhecendo a impropriedade da prisão preventiva por ausência de contemporaneidade da decisão em relação às eleições de 2024, vez que a acusação é de financiamento eleitoral".
"Foi, no entanto, determinada a fixação de medidas cautelares e o uso de tornozeleira. O Miniterio Público opinou pela ausência de contemporaneidade da prisão preventiva no HC. Assim, os dois vereadores encontram-se na cidade de Morada Nova e não sofreram qualquer restrição em decorrência da operação de hoje (última terça-feira, 5)", complementou o advogado.
As defesas dos demais vereadores não foram localizadas pelo g1. A matéria será atualizada se houver manifestação das defesas dos outros investigados. O processo tramita sob sigilo de justiça.
Movimentação de R$ 500 milhões
Cinco presos em operação integrada contra o crime organizado
Nas investigações que resultaram na Operação Consorte, foi identificado um fluxo financeiro superior a R$ 500 milhões, indicando o uso de mecanismos sofisticados para ocultação e dissimulação de recursos ilícitos.
Ao todo, participaram da ofensiva 108 policiais federais e civis, distribuídos em 27 equipes operacionais. Os agentes tentaram cumprir 27 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão, expedidos pela 93ª Zona Eleitoral, nas cidades cearenses de Fortaleza, Aquiraz, Morada Nova, Jaguaribara, Ibicuitinga, além de Belo Horizonte.
A investigação é um desdobramento da Operação Traditori, que já havia resultado na prisão de agentes políticos da região investigada. Nesta nova fase, o foco é atingir a estrutura financeira do grupo, com apuração de crimes de lavagem de dinheiro e outros delitos correlatos.
Lavagem de dinheiro
Operação mira braço financeiro de facção que movimentou meio bilhão de reais.
PF/Divulgação
De acordo com as investigações, o grupo utilizava um esquema ainda não detalhado para lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas, com ramificações em outros estados além do Ceará.
Segundo a Polícia Federal, a operação desta terça-feira (5) buscou aprofundar a identificação desses mecanismos e interromper o fluxo financeiro da organização criminosa.
A ação foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco) - que reúne diferentes órgãos de segurança pública, incluindo as polícias Civil, Federal, Militar e Rodoviária Federal, além de instituições periciais e administrativas.
Veja na íntegra a nota da defesa de Weder Basílio
"A defesa lamenta não ter tido acesso sequer ao conteúdo da decisão de prisão, muito menos aos autos do inquérito. Enquanto isso, verifica-se um amontoado de notícias e entrevistas sobre o caso, inclusive pelo delegado responsável.
Todas as providências jurídicas serão tomadas não só para revogar a prisão ilegal, mas, sobretudo, para esclarecer fatos que, apesar de tratados como certos, ainda estão sob apuração.
É um absurdo que a atividade empresarial por si só esteja sendo tomada como um crime, tão somente em razão da movimentação de altos valores financeiros. Importante ressaltar que, há poucos meses, outro pedido de prisão havia sido negado.
A defesa confia que a justiça será restabelecida em breve, não obstante nada devolva ao investigado os dias que passará preso ilegalmente."
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