Homem é inocentado após ser preso e responder a processo durante quase três anos no Ceará
30/06/2026
(Foto: Reprodução) Homem preso injustamente é inocentado no Ceará
A Justiça do Ceará inocentou o motorista de aplicativo Guilherme Souza Ferreira, no Ceará, após ele passar mais de dois meses preso e respondendo a um processo criminal durante quase três anos por engano. O jovem havia sido preso injustamente em setembro de 2023, devido a uma confusão de identidade e fraudes envolvendo seu antigo número de celular.
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O caso começou em 5 de setembro de 2023, quando Guilherme foi acordado, algemado e preso na porta de casa, em Maracanaú. Na época, ele foi acusado de crimes cometidos na Região Metropolitana de Fortaleza, incluindo homicídio, tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O motorista era réu primário e afirmou em depoimento que nunca teve envolvimento com armas ou drogas. No entanto, a Polícia Civil afirmava que o perfil dele batia com o de um suspeito procurado.
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Segundo os agentes, o verdadeiro criminoso atuava como motorista de aplicativo desde 2018, possuía o mesmo número de telefone de Guilherme e já havia sido preso na cidade de Itapajé, em 2016.
No entanto, a defesa do jovem apontou algumas contradições na investigação. Uma delas é que Guilherme só começou a trabalhar em aplicativos de transporte em 2023. Em 2018, ele ainda era menor de idade e sequer possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A defesa também comprovou a falta de conexão entre o jovem e a cidade de Itapajé, local onde ele nunca esteve. Outro ponto que é que o motorista teve o celular roubado no passado e perdeu o acesso ao número, mas não registrou boletim de ocorrência (BO) na época.
A suspeita é de que os verdadeiros criminosos fraudaram os dados e passaram a utilizar a linha telefônica nas ações ilegais.
Condenação exige 'prova segura de autoria'
Guilherme respondia a processo por engano e agora foi inocentado.
Reprodução/TV Verdes Mares
Guilherme passou mais de dois meses preso até que a Justiça relaxasse a prisão por falta de provas. Durante esse período, ele perdeu os primeiros meses de vida do filho recém-nascido.
Mesmo em liberdade, o motorista viveu quase três anos temendo ser abordado e voltar para a prisão, já que o processo ainda corria na Justiça.
A confirmação oficial da inocência de Guilherme veio depois de quase três anos de sua prisão. De acordo com apuração da TV Verdes Mares, na decisão, o juiz reconheceu a fragilidade das evidências apresentadas contra o rapaz, ressaltando que condenações criminais exigem "prova segura de autoria, não sendo admissível elementos indiretos ou extraídos somente de perfis virtuais".
Com a absolvição, a família informou que o próximo passo é buscar uma indenização junto ao Estado do Ceará pelo tempo em que o jovem permaneceu preso indevidamente.
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