Brasileira desatracou barco após tentar ligar motor e ficou à deriva, diz polícia inglesa
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Imagens divulgadas pela polícia mostram Vitória Barreto em ônibus e na rua em Brightlingsea, na Inglaterra
Novas pistas nas buscas pela psicóloga Vitória Figueiredo Barreto, desaparecida na Inglaterra há 10 dias, apontam que ela pode ter tentado fazer uma ligação direta no barco a motor que sumiu do porto de Brightlingsea. Sem conseguir ligar o motor, a embarcação ficou à deriva, sendo levada pela corrente até parar em um banco de areia perto da região de Bradwell.
As informações foram repassadas pela polícia, nesta quinta-feira (12), em reunião com familiares e amigos de Vitória que acompanham diretamente as investigação na Inglaterra, conforme contou ao g1 a professora Liliane Silva, que hospedava a cearense.
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“Na verdade, a polícia é clara em dizer que as câmeras não conseguiram alcançar o rosto da pessoa, mas que, juntando as imagens e o tempo das imagens, eles trabalham, sim, com a certeza de que era a Vitória”, afirma Liliane.
Vitória Figueiredo Barreto, psicóloga desaparecida na Inglaterra, teria saído de Brightlingsea em duas embarcações
Polícia de Essex/Reprodução
Com as novas pistas, as investigações apontam que Vitória teria utilizado duas embarcações na madrugada do dia 4 de março.
Assim, após passar por quatro cercas em direção ao estaleiro, ela entrou em um barco pequeno e saiu remando sozinha. Em seguida, ela chegou a um pontão onde outras embarcações estavam atracadas. Vitória então amarrou o primeiro barco, de menor porte, entrou em um segundo barco e tentou ligar o motor dele.
“A gente conseguiu ver a imagem, o vídeo de uma pessoa na pequena embarcação. São aqueles barquinhos que são utilizados por pescadores para chegar até o barco maior deles, quando a maré está baixa. Então, ela pegou um daqueles barquinhos e remou cerca de 100 metros até uma estação onde tinha um barco maior. E ela, então, entrou nesse barco maior. E aí, esse barco maior foi encontrado no banco de areia”, detalha a professora.
Conforme Liliane, este segundo barco foi encontrado com a parte do motor aberta e com os fios expostos, indícios de que Vitória teria tentado fazer uma ligação direta para acionar o motor. Sem obter sucesso, ela desamarrou o barco, que foi levado pela corrente.
A amiga detalha que a psicóloga cearense é bastante habilidosa e que, segundo relatos da mãe dela, ela é acostumada a tentar resolver problemas no carro, trocar pneus e consertar problemas em diversas áreas.
Os motivos de ela ter saído no barco sem avisar a familiares e amigos ainda não foram esclarecidos.
Esperanças renovadas
Região de Brightlingsea, na Inglaterra, onde brasileira Vitória Barreto pegou barco e ficou à deriva.
Essex Police/Reprodução
A Polícia de Essex comunicou, nesta quinta-feira (12), que não encontrou um colete salva-vidas da segunda embarcação que teria sido usada por Vitória. O barco foi parar em um ponto próximo à praia de Bradwell.
De acordo com Liliane Silva, as informações mais recentes apontam que o barco foi encontrado em uma região onde a água tinha pouca profundidade, na manhã do dia 4 de março. Assim, a esperança é que Vitória possa ter saído da embarcação em segurança.
“A região em que o barco parou era uma região rasa. Os experts explicam que a água não estaria mais do que na altura do joelho dela. E o barco foi encontrado com a boia salva-vidas faltando. Então, ela deve ter se protegido pegando esse colar, esse anel que não afunda. Claramente, com tudo isso que ela fez, ela mostrou pra gente que ela estava lutando pela vida dela e não faria nada contra ela própria”, relata Liliane.
Ela comenta que um elemento que reanima as esperanças é que, mesmo com as buscas pelo mar e com a ajuda de helicóptero na região, Vitória ainda não foi encontrada.
“A polícia trabalha, sim, com a crença de que ela esteja viva em algum lugar, esperando por nós, se Deus quiser”, acrescenta.
Buscas ampliadas
Polícia investiga região costeira de Brightlingsea, na Inglaterra, onde brasileira Vitória Barreto utilizou barco e desapareceu.
Essex Police/Reprodução
Na manhã desta sexta-feira (13), Liliane foi até a região de Bradwell com a mãe e o namorado de Vitória, que continuam na Inglaterra acompanhando diretamente as buscas. Eles pretendem circular pela região e tentar entender os possíveis passos de Vitória, caso ela tenha caminhado por essa área.
Desde a quarta-feira (11), a polícia expandiu as buscas para o rio Blackwater, a península de Dengie, a costa do rio Crouch e a Ilha de Mersea. Nesta sexta-feira, as buscas também são mais direcionadas para Bradwell.
Conforme Liliane, o trabalho continua também em Brightlingsea, cidade onde Vitória chegou após pegar um ônibus saindo da Universidade de Essex. Isso porque outros objetos dela ainda podem ser encontrados na região.
A amiga explica que a bolsa dela encontrada em Brightlingsea, perto de onde ela pegou a primeira embarcação, não continha itens essenciais. Ainda não foram encontrados, por exemplo: o celular, o passaporte, cartões de crédito e o computador de Vitória.
Não está descartado que todos esses objetos ainda estejam com ela. Os familiares foram orientados a não tentar acessar nenhuma das contas de Vitória, como redes sociais ou aplicativos. A intenção é que, se houver tentativa de novo acesso, os investigadores consigam rastrear uma nova localização que leve até Vitória.
Ainda segundo Liliane, o sinal do celular da psicóloga, que indicou uma posição no mar, voltou a ser um indício relevante depois que as investigações avançaram e passaram a considerar que ela pode ter feito uma rota pelo Mar do Norte e pelas regiões de Bradwell e Ilha de Mersea.
Psicóloga cearense desaparece na Inglaterra.
Arquivo pessoal
“A gente já tinha tido uma explicação técnica de que esse sinal pode não ser preciso. Ele pode ter um alcance de até um quilômetro de raio. Então, mesmo que ela estivesse na terra, andando em algum lugar, esse sinal poderia ter sido emitido e poderia fazer sentido, mesmo ela não estando no mar”, explica a amiga.
A localização deste sinal, por volta das 8 horas da manhã do dia 4 de março bate com o horário em que Vitória ainda estaria à deriva na segunda embarcação. Ela comenta que, segundo a explicação da polícia, o barco pode ter parado no banco de areia por volta das 10h30 da manhã.
Mobilização no Reino Unido
Vitória Figueiredo Barreto está desaparecida desde o dia 3 de março, na Inglaterra.
Polícia de Essex
No décimo dia de buscas, Liliane e os familiares de Vitória fazem um apelo aos brasileiros que moram no Reino Unido: colocar bandeiras brasileiras do lado de fora de casa e imprimir cartazes com o rosto dela. Outro pedido é que, caso encontrem Vitória pedindo ajuda, estas pessoas acolham a brasileira e entrem em contato com a polícia.
“Nós entendemos que agora, passados 10 dias do desaparecimento dela, ela pode estar voltando ao estado normal de pensamento, de coerência, de raciocínio. Então, ela precisa de espaço seguro para buscar ajuda, para voltar para casa”, comenta a amiga.
Em entrevistas anteriores, Liliane apontou que Vitória teve alterações de comportamento antes de desaparecer.
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Em comunicado divulgado pela polícia britânica nesta quinta-feira (12), a mãe de Vitória, Gleyz Barreto, comentou que a filha gostaria que ninguém desistisse das buscas.
"Sabemos que Vitória provavelmente não está se sentindo bem, talvez esteja assustada. Para qualquer pessoa que a vir, por favor, faça com que ela se sinta acolhida, amada e ajude-a a se acalmar", disse a mãe, em comunicado publicado pela Polícia de Essex.
Ainda conforme Liliane relatou ao g1, o governo britânico tem feito o monitoramento de hospitais e também dos acessos de aeroportos, portos e fronteiras terrestres, afirmando que, até o momento, Vitória não deixou o Reino Unido.
Entenda o caso
Vitória Figueiredo Barreto.
Polícia de Essex
Vitória estava na Inglaterra hospedada na casa de uma amiga brasileira, Liliane. As duas trabalhavam em um projeto de pesquisa na Universidade de Essex, em Colchester, a cerca de 90 km a nordeste de Londres.
No dia de seu desaparecimento, Vitória almoçou com a amiga em um local próximo à universidade. As duas deveriam se reencontrar no fim da tarde, mas a cearense não apareceu.
A psicóloga cearense tem um vasto currículo na área e atuação internacional. A viagem para a Inglaterra também tinha como objetivo buscar oportunidades de estudo e palestras, com a possibilidade de iniciar um doutorado.
Liliane afirma que Vitória, que "sonhava em talvez um dia se tornar aluna" da Universidade de Essex, não estava bem antes do seu desaparecimento.
A Polícia de Essex foi comunicada no dia 4 de março sobre o caso. A mãe e o namorado de Vitória foram até a Inglaterra e acompanham os desdobramentos das investigações.
Itamaraty acompanha o caso
Em nota emitida em 5 de março, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que acompanha o caso por meio do Consulado-Geral do Brasil em Londres. Conforme o órgão, o Consulado mantém contato com autoridades locais e com a família da brasileira, prestando assistência consular.
O Itamaraty informou ainda que a atuação consular segue a legislação brasileira e internacional. Por questões de privacidade, o ministério não divulga detalhes sobre casos individuais de assistência a brasileiros.
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